O Jornal Nacional da Rede Globo de
Televisão revelou na noite desta sexta-feira (19) que o vice-governador da
Paraíba, Rômulo Gouveia (PSD) e o marqueteiro Duda Mendonça foram indiciados
pela Polícia Federal no escândalo do Jampa Digital por desvio de recursos para
a campanha do governador, Ricardo Coutinho (PSB), que bem como o ministro
Aguinaldo Ribeiro (PP), também teve seu nome citado e recomendado para
investigações, já que possuem foro privilegiado, ao lado de deputados federais.
Foram desviados mais de R$ 1 milhão
de um programa que deveria levar internet de graça para a população de João
Pessoa, na Paraíba. A Polícia Federal indiciou 23 pessoas. Entre elas, estão o
vice-governador Rômulo Gouveia e o publicitário Duda Mendonça. O Jornal da
Globo teve acesso, com exclusividade, aos detalhes dessa investigação.
O relatório da Polícia Federal tem
148 páginas. As provas indicam que 23 pessoas participavam do esquema. Todos os
suspeitos foram indiciados. Segundo a PF, o Projeto Jampa Digital foi criado
para desviar dinheiro público. Desde o inicio, já se sabia qual empresa
ganharia a licitação, de quanto seria o superfaturamento e para onde os
recursos seriam desviados.
Em 2012, o Fantástico mostrou que
dois anos depois de anunciado, o programa, criado para levar internet de graça
à população de João Pessoa, ainda não funcionava na capital paraibana. O Jampa,
orçado em R$ 39 milhões, seria custeado pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia. A vencedora da licitação para implantação do projeto foi a empresa
Ideia Digital, que tem sede em Salvador. Segundo a Polícia Federal, a empresa
superfaturou o projeto em R$ 1,6 milhão. A investigação descobriu ainda que R$
1,1 milhão foram repassados pela Ideia a empresas fantasmas em São Paulo.
O dinheiro teria sido usado para
pagar despesas de campanha do atual governador do Estado da Paraíba, Ricardo
Coutinho, do PSB, e do vice, Rômulo Gouveia, do PSD. A polícia identificou
também o envolvimento de José Eugenio de Jesus Neto nas transações financeiras
com as empresas fantasmas. Segundo a polícia, José Eugênio era diretor
financeiro das empresas do publicitário Duda Mendonça, que foi o responsável
pela campanha de Ricardo Coutinho ao governo da Paraíba em 2010.
Até agora, foram indiciados o
publicitário Duda Mendonça por lavagem de dinheiro, o vice-governador da
Paraíba, Rômulo Gouveia, por corrupção e outras 21 pessoas por participação no
esquema. Entre elas, estão empresários e funcionários públicos.
A Polícia Federal também encaminhou
a investigação ao Ministério Público Federal e recomendou que sejam apuradas as
participações no esquema do governador Ricardo Coutinho, de dois deputados
federais e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Ribeiro era secretário
de Ciência e Tecnologia da Prefeitura de João Pessoa na época em que o programa
foi anunciado. Todos têm foro privilegiado.
"A nossa ideia sempre é trazer
provas pra que a Justiça possa condenar efetivamente aqueles que participaram,
mas de forma completa, para entender
todo mecanismo dessa engrenagem dessa organização considerada criminosa por
nós", diz Marcello Diniz, superintendente da Polícia Federal/PE.
A assessoria de imprensa do governo
da Paraíba desconhece que o inquérito tenha citado o governador Ricardo
Coutinho e que ele não foi notificado. Segundo a assessoria, as empresas
investigadas não foram doadoras da campanha e as contas relativas às eleições
de 2010 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. A assessoria disse que Rômulo
Gouveia já prestou todos os esclarecimentos sobre o caso e que ele não se
envolveu no processo licitatório ou de execução do projeto.
Antônio Carlos de Almeida Castro,
advogado de Duda Mendonça, afirmou desconhecer o indiciamento do publicitário e
que Duda Mendonça recebeu R$ 500 mil da campanha eleitoral de Ricardo Coutinho.
José Eugênio de Jesus Neto, ex-diretor financeiro das empresas de Duda
Mendonça, foi procurado pela produção do Jornal da Globo, mas não retornou.
Em nota, a assessoria de imprensa
da empresa Ideia Digital afirmou desconhecer o relatório da Polícia Federal e o
indiciamento dos proprietários.
Tmbém em nota, a assessoria do ministro
das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, afirma que a licitação que resultou na
contratação da Ideia Digital foi conduzida pela Secretaria de Administração do
município. Portanto, Aguinaldo não licitou, contratou ou pagou essa empresa na
época.
Veja o vídeo:
http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/policia-indicia-suspeitos-de-irregularidades-em-projeto-de-internet-gratuita-na-paraiba/2704192/
ClickPB
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